Projetos da Bienal de Arquitetura discutem possibilidades de moradias
Bonitos ou feios, práticos ou pouco funcionais, os produtos do mercado imobiliário paulistano refletem as possibilidades, os desejos e as exigências de seus consumidores

Bonitos ou feios, práticos ou pouco funcionais, os produtos do mercado imobiliário paulistano refletem as possibilidades, os desejos e as exigências de seus consumidores – lógica de qualquer outra atividade econômica. Por isso, é importante que as pessoas saibam como querem morar na maior metrópole do País, especialmente quando ela discute os novos parâmetros do Plano Diretor Estratégico da cidade.

 Alguns modos dos habitar de forma inclusiva e saudável nos grandes centros urbanos estão em exposição na X Bienal de Arquitetura de São Paulo, aberta ao público até 1º de dezembro em diversos pontos da capital  paulista. O Museu da Casa Brasileira concentra cinco mostras cujo tema principal recai sobre as tendências para as moradias, inclusive as de perfil econômico e social.

 “Este é um momento de mudança. A cidade dos condomínios fechados e cheias de muros está com os dias contados”, diz o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAM), José Armênio de Brito Cruz. A entidade é responsável há quatro décadas pelo evento, que, este ano, tem a urbanidade como tema principal: “Cidade: Modos de Fazer, Modos de Usar”.

 A integração e os limites entre público e privado ganham especial destaque na conceitual Casa Moriyama, obra do arquiteto japonês Ruye Nishizawa em Tóquio. “É uma experiência radical. Em vez de fazer um projeto mais tradicional, ele explodiu a casa em várias partes, criando na moradia um espaço público”, resume o curador da exposição, Guilherme Wisnik.

 A área dedicada à mostra exibe a planta desmembrada do empreendimento, um conjunto de pequenos prédios com alturas variadas localizado em uma rua estreita da capital japonesa. “O arquiteto questiona a ideia de máxima privacidade. A pessoa tem de sair do dormitório e entrar numa área aberta para ir ao banheiro, e pode estar nevando ou chovendo.” A radicalidade transparece também nas fachadas da edificação, com abundante uso de vidro.

 A arquiteta Valentina Tong registrou em fotos alguns dos momentos cotidianos na casa Moriyama, e as imagens também estão em exposição. É curioso ver aparelhos de barbear no meio de um quintal aberto ou um lavabo separado das vistas alheias por uma cortina. “Se está tudo à mostra das pessoas que passam na rua, quem invade a privacidade: a pessoa do banheiro ou quem olhou pela janela”, provoca o curador Wisnik.

 De forma bem mais tangível, o mesmo conceito já aparece em alguns empreendimentos por aqui. Têm se multiplicado no mercado projetos de uso misto com espaços de uso público, como praças e parques integrando as edificações. Os residenciais, no entanto, ainda convivem com as barreiras de isolamento, afastando-os do exterior. De acordo com empresas do setor, ainda há resistência no mercado à integração total de moradias em função do medo de violência nos grandes centros.

 Para Wiznik e Cruz, a solução para os problemas de segurança e mesmo a recuperação de espaços públicos ocorre no sentido inverso, o de produção de moradias que também construam cidades, aproximando os ambientes domésticos e urbanos. Já há, inclusive, iniciativas para a viabilização desses conceitos nos projetos brasileiros.

 A fachada ativa dos edifícios, ou seja, o oferecimento de comércio no térreo de prédios residenciais, é uma realidade em lançamentos de alto padrão em São Paulo, abrigando mercados, cafés e até pequenas lojas. O assunto também é uma das propostas da Prefeitura no novo Plano Diretor e de novas operações urbanas paulistanas, como a recentemente aprovada Água Branca, na Barra Funda.

 Por outro lado, o programa Casa Paulista, que promete aumentar o adensamento populacional na região central de São Paulo, parece trazer para a realidade brasileira as ideias da ousada obra japonesa. Iniciativa do governo estadual em conjunto com a Prefeitura para funcionar no modelo de Parceria Público-Privadas (PPP), o projeto habitacional com intervenções urbanísticas é detalhado na mostra “Modos de Habitar”.

 Além de um vídeo com perspectivas da região já transformada e com o detalhamento da área de intervenção urbana, a exposição da Bienal mostra exemplos de como o centro expandido será transformado com a entrega de 20,2 mil moradias, com aspecto diferente do que São Paulo costuma ver.

 Os edifícios, concebidos pelo Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem), são de estatura média e dispostos nos terrenos perpendicularmente, deixando aberta parte da área dos lotes para a instalação de equipamentos públicos. Há ainda aberturas no térreo que avançam sobre o corpo das edificações, criando vãos entre o solo e o edifício na área de circulação. Ficam proibidos os prédios altos isolados por muros e os guetos habitacionais.

 Além disso, há a intenção de incentivar o adensamento em torno das vias de transporte – assunto que tem se tornado relevante também no mercado. “Hoje os anúncios de lançamentos mostra que a proximidade do metrô é o novo apelo de vendas. As verdades do marketing mudam, e estamos começando a ver isso”, diz Cruz.

 

Da Redação, original O Estado de S. Paulo.

 

Fonte: http://www.obra24horas.com.br/materias/arquitetura/projetos-da-bienal-de-arquitetura-discutem-possibilidades-de-moradias

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