Novos materiais em teste
A indústria da construção civil é um campo fértil para inovação tecnológica no modo de construir e no experimento de novos materiais. Do tijolo de barro cru (adobe) a blocos de componentes variados, tudo tem que ser testado e certificado antes de chegar ao canteiro de obras. A professora doutora em Engenharia Química Célia Regina Granhen Tavares pesquisa e desenvolve novos materiais a partir de resíduos de todo o tipo, sempre com o foco na sustentabilidade. Ela faz parte do grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que desenvolve soluções para a construção civil.

A indústria da construção civil é um campo fértil para inovação tecnológica no modo de construir e no experimento de novos materiais. Do tijolo de barro cru (adobe) a blocos de componentes variados, tudo tem que ser testado e certificado antes de chegar ao canteiro de obras. A professora doutora em Engenharia Química Célia Regina Granhen Tavares pesquisa e desenvolve novos materiais a partir de resíduos de todo o tipo, sempre com o foco na sustentabilidade. Ela faz parte do grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) que desenvolve soluções para a construção civil.

 

Um desses projetos é o bloco cerâmico acústico que tem lodo residual de lavanderia em sua composição. "A pesquisa surgiu de uma necessidade do mercado de lavanderias de Maringá e região, que gera quantidades consideráveis de lodo, resíduo classificado pela legislação brasileira como perigoso ou não perigoso, não inerte. Esse material só pode ser destinado a aterros industriais, mas não temos nenhum por aqui, o que acarreta em grandes custos para as empresas", afirma.

 

Depois de inúmeras reuniões e de um projeto aprovado pela Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal (Finep), uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, começou a pesquisa para a fabricação de blocos cerâmicos não estruturais. A proposta é criar blocos (que podem ser usados na construção de imóveis), substituindo parte da argila pelo resíduo das lavanderias. Os pesquisadores desenvolveram um produto, em que 15% da argila foi substituída por lodo, sem prejudicar as propriedades de resistência mecânica e de absorção d´água do produto. "Além disso, os metais presentes no lodo ficam imobilizados na argila e, dessa forma, o resíduo gerado após a vida útil do bloco cerâmico torna-se um resíduo não perigoso e inerte. A pesquisa deu origem a um bloco cerâmico acústico, cuja patente já foi depositada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi)", comemora. Todas as pesquisas para chegar à fórmula ideal foram desenvolvidas em escala real, em uma olaria da região.

 

O desafio é criar um material novo, utilizando o máximo de resíduo possível, sem comprometer as características originais ou de um similar. Esse trabalho todo beneficia a comunidade de forma direta, segundo a professora, que cita os blocos de concreto fabricados a partir de resíduos da construção civil no Estado de São Paulo - produto de pesquisas das universidades paulistas.

 

No caso do bloco cerâmico com lodo, a universidade foi responsável pela maioria dos testes realizados, o que serve de incentivo para que outros pesquisadores e pessoas da comunidade que queiram desenvolver novos produtos ou materiais experimentais procurem os laboratórios da UEM. O tipo de testes a ser feito é determinado em função do tipo de material produzido e da legislação específica para sua utilização. "Alguns testes podem ser feitos aqui, como avaliações químicas para saber a composição do material, ensaios de resistência e de absorção de água. Em breve Maringá poderá fazer até os testes acústicos, porque a universidade já está em fase de aquisição do equipamento necessário".

 

Certificação para produção em larga escala

 

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) tem 100 anos de fundação e é referência em testes de calibração e ensaios para materiais variados, para os quais emite laudos de eficiência e segurança. "No caso de novos materiais não é exigido documento de avaliação técnica prévia, mas, se o fabricante ou potencial usuário (construtor, empreiteiras, concreteiras, etc.) dispor de documentos técnicos com dados de testes precedentes ou patentes, ou normas técnicas internacionais, esse material deve ser encaminhado também porque acelera o processo de avaliação. A cada novo material montamos um plano de ensaios ou testes de avaliação", afirma Valdecir Angelo Quarcioni, responsável pelo Laboratório de Materiais de Construção Civil. O laboratório pode realizar mais de uma centena de ensaios, inclusive certificados pelo Inmetro (físicos, mecânicos, químicos e microscópicos), depois emite documentos técnicos. O IPT ainda avalia novos produtos e processos que não são abrangidos por normas técnicas.

 

Para quem tem intenção de enviar protótipos, Quarcioni orienta os pesquisadores e empresas a buscar informações sobre a linha especial de financiamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (Embrapii), que custeia parte significativa destes projetos. Vale lembrar que o tipo de teste e o tempo de espera para os resultados variam, em alguns casos é preciso enviar o protótipo ou os relatórios para a equipe técnica determinar o caminho que vai seguir.

 

AUTOR/FONTE:http://www.obra24horas.com.br/materias/produtos-e-servicos/novos-materiais-em-teste

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